Comando Militar do Rio de Janeiro, 22 de abril de 1968.
Após ser detida numa diligência, a terrorista que atende
pela alcunha de Beatriz, começa a ser interrogada pelo chefe do 2º Comando
Militar do Rio de Janeiro.
Interrogador: Como é seu nome?
Interrogada: Beatriz
Interrogador: Perguntei seu verdadeiro nome, não o
nome de guerra ...
Interrogada: Já disse que meu nome é Beatriz e isso
não é um nome de guerra.
Interrogador: Olha, eu posso te manter aqui até a
hora que eu quiser, a lei me garante isso, a gente então poderia tentar
resolver isso de uma forma mais tranquila, sem que eu precise utilizar alguns
de meus “brinquedinhos” – diz eles apontando para uma mesa cheia de instrumentos
de tortura.
Interrogada: você pode fazer o que sua consciência
deixar você fazer ....
Interrogador: Não tenho consciência a muito tempo. Bom,
vamos deixar isso de lado me diz, onde estão seus amigos, quero saber e você
vai me falar.
Interrogada: Não sei do que você está falando ...
Interrogador: Eu tinha certeza que você me diria
isso, por isso já tinha preparado um presentinho para você. Você vai ser apresentada
para o pau-de-arara.
Interrogada: Já disse que não sei do que você está
falando, sou apenas uma estudante, que estava participando de uma manifestação.
Não conheço e nunca vi essas pessoas que você está falando. Meu pai é oficial
da polícia militar, ele logo vai vir aqui e me tirar daqui. Quero ver você
explicar para ele que me manteve presa, sem uma acusação formal e me torturou psicologicamente.
Interrogador: Seu pai é oficial da polícia, que bom,
quero ver quando ele chegar aqui e descobrir que sua filha está envolvida com
atos de terrorismo. Tenho certeza que ele mesmo vai querer saber onde estão
seus amiguinhos comunistas. Me diz, onde encontro esses malditos terroristas.
Interrogada: (chorando) Já disse que não sei, nunca
vi, só estava lá porque todo mundo foi. Fui presa porque não quis sair
correndo, já que acho que devemos ter o direito de manifestação, isso está na
carta da ONU, que o Brasil assinou após a 2º Guerra e mais ...
Interrogador: Agora sim, seu lado comunista começou a
falar – ele levante vai até Beatriz e a puxa pelo cabelo – se você acha que
essa retórica vai te levar a algum lugar, está engada, ou você me diz o que eu
quero saber apenas um de nós sairá vivo daqui e, posso te garantir que não é
você.
Interrogada: Já te disse, eu não sei ... eu quero
falar com meu pai.
Interrogador: Quer falar com o papai é. Acho melhor você
falar com isso aqui – nessa hora ele a coloca no pau-de-arara e começa a lhe
dar choques elétricos.
Interrogada: Para, por favor, eu não sei de nada,
para, por favor.
Interrogador: Vamos ver até quando você vai ficar
repetindo isso.
Interrogada: Não estou aguentando mais, não sinto
mais meu corpo, já disse que não sei .....
Interrogador: É parece que ela não sabia mesmo, quem
sabe né. Cabo, pode levar mais comida para os peixes da baia da Guanabara.
Nenhum comentário:
Postar um comentário