INTERROGATÓRIO
Nesta etapa do nosso curso, estaremos postando textos de um gênero definido na proposta do exercício. A cada grupo foi solicitado um gênero e, ao nosso, coube redigir um interrogatório, a partir de uma sequência de eventos, como se ela tivesse acontecido com alguém logo ao acordar.
O morador da Rua das Camélias, 153, apto 15 da Vila Alpina, SP, é surpreendido, ao acordar, pelo toque da campainha e, ao abrir a porta de seu apartamento, encontra na soleira o corpo de um homem, rígido e gelado. Imediatamente, liga para a polícia. Dois dias depois, é chamado para interrogatório, que segue abaixo:
CASO 368 (CADÁVER RUA DAS CAMÉLIAS, 153, APTO 15, VILA ALPINA, SP)
Delegado: Seu nome completo e endereço.
Denunciante: Everaldo da Silva, Rua das Camélias, 153, apto 15, Vila Alpina, São Paulo.
Delegado: Você faz o que?
Denunciante: Como assim? No trabalho?
Delegado: Sim, sua profissão.
Denunciante: Agente de viagens da Delta Turismo S/A.
Delegado: Você sabe por que está sendo interrogado?
Denunciante: É por causa do homem morto que estava em minha porta?
Delegado: Sim, você o conhecia?
Denunciante: Não, nunca vi aquela pessoa antes.
Delegado: Você acha que o homem foi assassinado, ou foi morte natural?
Denunciante: Não tenho a menor ideia. Não percebi nenhuma marca de violência no corpo, nem sangue.
Delegado: Quando foi a última vez que saiu de casa antes do ocorrido?
Denunciante: Foi ontem à noite, saí com amigos.
Delegado: Pra onde foram?
Denunciante: Tomar uma cerveja no shopping a duas quadras de casa.
Delegado: A que horas voltou para casa?
Delegado: A que horas voltou para casa?
Denunciante: Uma da manhã, mais ou menos.
Delegado: Veio alguém junto com você?
Denunciante: Não, cheguei sozinho.
Delegado: Como foi que você encontrou o corpo do homem? A que horas foi isso?
Denunciante: Senhor Delegado, tudo aconteceu de repente. Eu acordei cedo, sete horas da manhã, como de costume. Levantei-me e fui ao banheiro escovar os dentes. Em seguida, quando estava lavando o rosto, ouvi a campainha tocar. Enxuguei-me às pressas, saí do banheiro e fui atender. Destranquei a fechadura, abri a porta e dei de cara com um homem caído na soleira.
Delegado: Havia mais alguém no recinto?
Denunciante: Não, não havia ninguém. Olhei pelo corredor e não vi ninguém por ali.
Delegado: Você ouviu algum barulho, tiro, por exemplo?
Denunciante: Não. Se não fosse a campainha tocar, nem teria visto o cadáver.
Delegado: Como o senhor percebeu que o homem estava morto?
Denunciante: Porque ao abaixar-me, toquei nele e vi que estava frio e rígido.
Delegado: Notou se havia algum ferimento, alguma marca de violência?
Denunciante: Não, apenas que estava com a boca arroxeada.
Delegado: O que fez em seguida?
Denunciante: Depois do susto, imediatamente liguei para a polícia e comuniquei a ocorrência.
Delegado: Você desconfia de alguém? Tem alguma ideia de como o homem morreu e de quem poderia ter deixado um cadáver à sua porta?
Denunciante: Não faço a mínima ideia, estou surpreso com tudo isso. Também quero saber quem teria interesse em deixar um morto em minha porta e, ainda mais, tocar a campainha para eu encontrar. Para socorrer acho que não foi, pois não dava mais tempo, ele já estava morto e gelado. Aí tem coisa, seu delegado... A não ser que a pessoa que tocou a campainha tenha feito isso porque viu alguém caído na minha porta... Mas, por que tocou e sumiu? Será que não quis dor de cabeça ou tem culpa no cartório?
Delegado: Isso, veremos. Mais algo a declarar?
Denunciante: Ah, me lembrei de uma coisa! O prédio vizinho ao meu tem câmera instalada.
Delegado: Muito bem, vamos verificar. Por hoje é só. Se houver necessidade, nós o chamaremos novamente.
Denunciante: Sim, senhor, estou à disposição para quaisquer esclarecimentos.
Maria da Graça (cursista)
Maria da Graça (cursista)
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